Todos os conteúdos

Instalações elétricas /

Gerador e equipamentos de combate a incêndio: o que precisa estar incluído

Muitos prédios e empresas têm gerador, mas nem sempre sabem exatamente o que ele alimenta. Em geral, a preocupação é manter elevadores, portões e áreas comuns funcionando durante uma queda de energia. Só que, quando o gerador também atende equipamentos de combate a incêndio, o assunto muda de nível: ele deixa de ser um item de conforto e passa a fazer parte da segurança da edificação.

Essa diferença tem consequências na forma de projetar, testar e manter o equipamento. Um gerador pode funcionar bem para o dia a dia e, mesmo assim, não estar preparado para uma emergência. A seguir, veja o que precisa estar incluído.

Quais equipamentos o gerador pode atender

Em um incêndio, a energia pode faltar ou precisar ser desligada. Por isso, alguns sistemas não podem depender apenas da rede normal. Conforme o projeto da edificação, o gerador pode alimentar:

  • bombas de incêndio elétricas, de hidrantes e mangotinhos ou de chuveiros automáticos
  • ventiladores de pressurização de escadas
  • exaustão e controle de fumaça
  • iluminação de emergência
  • registros corta-fogo
  • elevadores de segurança ou de emergência
  • central de alarme, como fonte auxiliar

Não existe uma regra única. O gerador não é exigido em todas as edificações, e cada sistema segue a sua Instrução Técnica. O que define o caso concreto é o projeto aprovado no Corpo de Bombeiros, a ocupação, a altura e as medidas exigidas.

O que as Instruções Técnicas dizem

Vale olhar alguns exemplos do que está escrito nas instruções do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

Na pressurização de escadas, a IT 13 prevê grupo motogerador automatizado com autonomia de 4 horas, conforme a ocupação e a altura. Ela também admite que o mesmo gerador alimente outros sistemas de emergência.

Nos hidrantes e mangotinhos, a IT 22 exige alimentação da bomba independente do consumo geral, de modo que a energia geral possa ser desligada sem afetar o motor. A instrução também permite que, na falta de energia da concessionária, as bombas elétricas sejam alimentadas por gerador a diesel.

No alarme de incêndio, a IT 19 aceita o gerador como fonte auxiliar, desde que siga os mesmos parâmetros de autonomia aplicados às baterias e ao nobreak.

Por fim, a IT 41, que trata da inspeção das instalações elétricas, reúne os cuidados com os circuitos de segurança e com o próprio grupo motogerador. É ela que costuma mostrar as diferenças entre um gerador comum e um que cumpre função de segurança.

O que muda quando o gerador atende a segurança

Pela IT 41, um grupo motogerador que alimenta serviços de segurança precisa, entre outros pontos:

  • partir automaticamente quando houver interrupção da energia normal
  • ter autonomia suficiente para todos os equipamentos de segurança atendidos, conforme a norma de cada sistema
  • alimentar, em caso de incêndio, somente os quadros e circuitos de segurança, sem os circuitos comuns
  • continuar alimentando os circuitos de segurança não afetados, mesmo que ocorra um curto-circuito em outro ponto
  • ficar em sala protegida contra o fogo, com compartimentação

Há uma observação importante para edificações antigas: a exigência de compartimentação da sala tem exceção para geradores de edificações existentes anteriores ao Decreto Estadual nº 46.076/2001. Isso precisa ser avaliado caso a caso.

Os circuitos também têm regras próprias. Os circuitos de segurança devem ser independentes dos demais. Aqueles que alimentam equipamentos com motor, como bombas, ventiladores e o próprio gerador, precisam de proteção resistente ao fogo quando passam por áreas com carga de incêndio. Não se admite dispositivo DR para proteção contra choques nesses circuitos, e os quadros devem ter identificação externa legível, com os esquemas unifilares disponíveis na edificação.

Por que o dimensionamento merece atenção

Um erro frequente acontece com o tempo. O gerador foi dimensionado para certas cargas e, ao longo dos anos, recebeu novos circuitos: mais elevadores, ar-condicionado, equipamentos de tecnologia. Ninguém refaz a conta.

Quando uma bomba de incêndio ou um ventilador de pressurização parte, a exigência elétrica pode ser alta. Se o gerador já está carregado, ou se a bomba nunca foi testada com ele, o sistema pode falhar exatamente quando for acionado.

Antes de acrescentar qualquer carga, vale pedir uma análise técnica. E, se a edificação não tem clareza sobre o que está ligado ao gerador, o primeiro passo é levantar isso, quadro por quadro.

A autonomia segue a mesma lógica. Se o sistema de pressurização exige 4 horas, o combustível disponível e as condições do equipamento precisam sustentar esse tempo com a carga real.

O que deve entrar na manutenção e nos testes

Aqui é importante separar obrigações e boas práticas.

É obrigação do proprietário ou responsável pelo uso, pelo Decreto Estadual nº 69.118/2024, realizar a manutenção e os testes periódicos dos sistemas de segurança, com relatórios que comprovem o serviço. A IT 13 determina a operação semanal dos sistemas de emergência da pressurização e inclui os sistemas de energia de emergência entre os itens de manutenção. E a IT 01 prevê comprovante de responsabilidade técnica de instalação e/ou manutenção do grupo motogerador.

Quanto à rotina do equipamento em si, siga o plano do fabricante e a orientação do responsável técnico. Como recomendação prática, a manutenção costuma cobrir:

  • bateria de partida e carregador
  • nível, qualidade e validade do combustível
  • óleo, líquido de arrefecimento e filtros
  • vazamentos, ventilação e escapamento
  • quadro de transferência e partida automática
  • limpeza da sala, sem materiais armazenados

Mas ligar o gerador em vazio por alguns minutos não basta. Um teste útil simula a falta de energia, verifica a partida automática e confirma se o gerador realmente assume os equipamentos de segurança. Sempre que possível, é recomendável testar com carga, e a equipe deve planejar o momento e os cuidados com o prédio.

Testes integrados: o que realmente importa

Cada equipamento pode funcionar isolado e o conjunto falhar. Por isso, a pergunta certa não é apenas se o gerador liga, mas se tudo funciona em sequência.

Um roteiro de verificação pode incluir:

  • Simular a queda da energia normal.
  • Confirmar a partida automática e a transferência da carga.
  • Acionar a bomba de incêndio com o gerador assumindo a alimentação.
  • Acionar a pressurização e verificar se os ventiladores permanecem operando.
  • Conferir se a iluminação de emergência e a central de alarme seguem funcionando.
  • Verificar se os circuitos comuns são desligados na condição de incêndio, quando o projeto prevê isso.
  • Registrar os resultados e tratar as pendências.

Esse tipo de teste precisa ser planejado e conduzido por profissionais, com aviso aos ocupantes e atenção ao funcionamento de elevadores e outros equipamentos.

Erros que costumam aparecer

Algumas situações se repetem em vistorias e avaliações técnicas:

  • gerador em modo manual ou com a partida automática desativada
  • bateria de partida fraca
  • combustível antigo ou tanque com pouco volume
  • bomba ou pressurização que nunca foi testada com o gerador
  • cargas adicionadas sem nova análise
  • circuitos de segurança passando sem proteção em áreas com carga de incêndio
  • quadros sem identificação e sem esquema unifilar na edificação
  • sala do gerador usada como depósito
  • manutenção feita em separado por empresas diferentes, sem que ninguém olhe o conjunto

Por onde começar

Se a sua edificação tem gerador, faça três perguntas simples: quais equipamentos de segurança ele alimenta, quando foi a última vez que isso foi testado de verdade e quem assina a manutenção.

Se alguma resposta não vier com clareza, vale fazer um levantamento antes da renovação do AVCB. A equipe técnica da Itelligence Group pode ajudar a verificar o que está ligado ao gerador, como os circuitos estão protegidos e o que deve entrar na rotina de manutenção e testes.

Fale pelo WhatsApp